terça-feira, 4 de dezembro de 2012

RELEMBRANDO ZAPPA E BOLIN

Quis o destino, escolher o dia 4 de Dezembro do calendário gregoriano para ficar marcado como a data de passagem, deste para um plano superior, de dois grandes músicos. Refiro-me especificamente à Tommy Bolin e ao Genial Frank Zappa.
Tommy Bolin mostrou interesse por música muito cedo, primeiro aprendendo a tocar bateria, depois piano e guitarra. Com a guitarra ele ganhou o status de lenda, muito devido a trágica interrupção de uma carreira que já se desenhava brilhante e que, até hoje, gera muita especulação no imaginário dos fãs, sobre as obras que ele poderia ter produzido se não tivesse partido prematuramente em 1976.

É lembrado pelos seus trabalhos junto ao Zephyr (aonde iniciou sua carreira profissional),  na banda do baterista Billy Cobhamem discos solos e coletâneas (algumas com material inédito, que foram lançadas após a sua morte), mas principalmente pela façanha de substituir, brilhantemente diga-se de passagem, os lendários Joe Walsh (no James Gang) e Richie Blackmore (no Deep Purple).

Gravou apenas um disco de estúdio com o Deep Purple, Come Taste The Band, de 1975, que apresentou uma grande mudança na sonoridade da banda, com pitadas soul e funk, produzidas pelas influências musicais de David Coverdale, Glenn Hughes e do próprio Bolin, o que desagradou alguns fãs. No mesmo ano lança Teaser, seu primeiro disco solo, exacerbando todo o seu talento e perícia na guitarra.

Em fevereiro de 1976, o Deep Purple resolver encerrar as atividades e Tommy sai em carreira solo. Sai em excursão para promover o lançamento de seu novo disco, Private Eyes, de 1976. Em 4 de dezembro de 1976, após ter feito o "opening act" para o show de Jeff Beck, Tommy Bolin foi encontrado morto em um hotel de Miami, vitimado por uma overdose, tinha apenas 25 anos de idade.

Com relação a Frank Zappa, fica difícil descrever o "Pai da Invenção" em poucas palavras. Compositor, guitarrista, baterista, percussionista, produtor de gravação, produtor de espetáculos e de teatro, artista plástico, publicitário, ativista político, ator, performático, diretor de cinema e videoclipes, dono de uma vasta obra musical que abrange o rock, fusion, jazz, música eletrônica, música clássica, soul, blues, rhythm and blues, improvisações, música experimental, psicodelia, ópera, musica latina, disco music e etc. Seu trabalho é praticamente impossível de ser rotulado, ou sequer categorizado.

Produziu quase todos os 60 álbuns que lançou, escreveu as letras de todas as suas canções, com forte tendência a abordar de forma humorística as questões e estruturas sociais e políticas, os movimentos pré-estabelecidos, os métodos de educação, as religiões, a defesa da liberdade de expressão e a abolição da censura, porém desaprovava o uso de drogas pelos seus músicos e groupies que o acompanhavam  ele classificava pessoas sob efeito de drogas como "babacas em ação". Fumou maconha apenas algumas vezes, confessando não sentir nenhum prazer.

Em 1990, foi convidado pelo presidente da Tchecoslováquia como consultor do governo em assuntos comerciais, culturais e turísticos, devido a forte influência na cena de vanguarda e underground do leste europeu dos anos 1970 e 1980, entretanto, a administração dos EUA colocou pressão no governo tcheco, que desfez a nomeação. A partir deste episódio, Zappa começou a atuar como consultor cultural não oficial, planejando desenvolver uma empresa de consultoria internacional para facilitar negócios entre o antigo bloco soviético e o bloco capitalista.

Foi altamente produtivo e prolífico até o fim dos seus dias, tendo lançado álbuns que são considerados essenciais na história do rock e do jazz, considerado um dos guitarristas mais originais de seu tempo, aclamado pelo público e pela crítica. Quando em 1990, ele foi diagnosticado com câncer de próstata terminal e inoperável, a maioria dos seus projetos ficaram parados, pois passou a dedicar a maior parte do seu tempo e energia para trabalhos orquestrais. Em 1991, foi um dos quatro compositores escolhidos a se apresentarem no aclamado Festival de Frankfurt, os outos eram John Cage, Karlheinz Stockhausen e Alexander Knaifel.

Cientistas de vários campos que, assim como o artista, desafiam as crenças convencionais e tradicionais quando a tais crenças carecem de raízes na lógica e na razão, têm homenageado Zappa nomeando novas descobertas com seu nome. Exemplos: Amaurotoma Zappa (molusco), Zappa Confluentus (peixe), Phialella Zappai (medusa), Pachygnatha Zappa (o lado ventral do abdômen da fêmea destas aranhas, se assemelha impressionantemente com o bigode do artista), zapA (gene da bactéria Proteus mirabilis), Spygori Zappania (fóssil de metazoários) e Zappafrank (asteroide).

Existem esculturas representando a figura do músico nas cidades de Vilnius (capital da Lituânia), em Baltimore (EUA) e em Bad Doberan (Alemanha), que desde a instalação, promove anualmente o Zappanale, um festival para celebrar a música de Frank Zappa. Uma rua do distrito de Marzahn, em Berlim, recebeu o nome de "Frank-Zappa-Straße" e em Baltimore, a prefeita Sheila Dixon proclamou oficialmente o 9 de agosto como o "Dia de Frank Zappa", citando as suas habilidades musicais e sua fervorosa defesa da Primeira emenda da constituição dos Estados Unidos da América.
Zappa foi, sem a menor sombra de dúvida, a mente musical mais inventiva, democrática, libertária, perspicaz, mordaz, sarcástica e socialmente crítica, que o mundo da música já viu. A música, a política e a filosofia de Frank Zappa, não podem ser separadas dos mundos do rock e da música clássica que ele conseguiu tão brilhantemente unir. Centenas de músicos, bandas e orquestras notáveis de diversos gêneros tem sido influenciado pela sua música. Faleceu em 4 de dezembro de 1993, em sua casa, cercado por sua esposa e seus quatro filhos.

  • Para saber um pouco mais sobre Frank Zappa, recomendo o livro "Detritos Cósmicos" do jornalista Fábio Massari (Conrad Editora, 2007).
  • Para saber sobre a iniciativa liderada por Frank Zappa contra a censura prévia as obras musicais pelo PMRC, veja aqui mesmo neste Blog o artigo sobre os 27 anos do “Tipper Sticker” em "O DIA QUE TENTARAM DOMESTICAR O ROCK'N'ROLL!!!".
  • Para ouvir um pouco de sua obra, vale a pena conferir o programa LAM House especial Frank Zappa absolutamente ao vivo, apresentado por mim e Luiz Antônio Mello, que foi ao ar na rádio Fluminense no dia 10/09/2011. Clique AQUI para ouvir direto ou, se quiser fazer uma cópia, clique com o botão direito e depois "Salvar link como".
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Texto original de LACARV, publicado em 04/12/2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

EM MEMÓRIA DE DUANE ALLMAN

A exatos 41 anos Howard Duane Allman (20/11/1946 – 29/10/1971) deixava esse plano, vitimado por um por brutal acidente de moto, poucas semanas antes de seu 25° aniversário. Apelidado de Skydog ainda em vida e Freebird após morto, devido a homenagem que o Lynyrd Skynyrd lhe fez com a música homônima, é considerado por críticos e músicos como um dos maiores guitarristas que este mundo teve o prazer de ouvir. Duane tem sido considerado o 2º melhor guitarrista de todos os tempos em recentes enquetes, ficando atrás apenas de Jimi Hendrix.

Duane Allman participou de diversos projetos como músico de estúdio para outros músicos, tais como: Wilson Pickett, Aretha Franklin, King Curtis, Delaney and Bonnie, Ronnie Hawkins, Clarence Carter, John Hammond, Boz Scaggs e Herbie Mann. Uma das mais notáveis parcerias de Duane foi o álbum Layla and Other Assorted Love Songs do grupo Derek & the Dominos, capitaneado por Eric Clapton. Dono de uma técnica invejável que consistia em fazer slides usando frascos de remedios como "bottleneck", foi um dos fundadores do "The Allman Brothers Band" juntamente com seu irmão mais novo, Gregg Allman.

Duane começou a tocar guitarra depois de seu irmão mais novo, Gregg Allman, e rapidamente passou a dominar o instrumento com incrível maestria, passando seu irmão como se ele estivesse parado (palavras do próprio Gregg Allman). Sua dedicação ao instrumento deu origem ao estilo personalíssimo do Allman Brothers Band, mesclando Blues e Southern Rock.

O The Allman Brothers talvez tenha sido uma das melhores bandas em apresentações ao vivo, senão a melhor, que já existiram. Apresentavam um show cheio de improvisação, com um vocalista branco de uma voz de puro sentimento negro e um músico que quando estava tocando era a própria extensão do seu instrumento.

Duane não somente tocava guitarra, ele entrava em um estado de comunhão plena com o seu instrumento fundindo a sua alma e fazendo com que parecesse que a guitarra fosse uma extensão do seu próprio corpo.

Segundo os mais prôximos, Duane era um grande amigo, de hábitos simples, que vivia a vida intensamente e com grande prazer em tudo que fazia. Encontra-se sepultado no Rose Hill Cemetery, Macon, Condado de Bibb, Geórgia nos Estados Unidos.
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Texto original de LACARV, publicado em 29/10/2012

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